sexta-feira , 22 setembro 2017

Vacina Contra Leishmaniose Cada Vez Mais Próxima

Cães com Conhecido como mosquito-palha, o "Lutzomyia longipalpis" é o transmissor da leishmaniose visceral no Brasilleishmaniose visceral podem ter uma chance de cura e fugir do destino atual que é a eutanásia.A luz no fim do túnel é a vacina que está sendo desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerias (UFMG) e usa em sua composição antígenos do próprio flebotomíneo Lutzomyia longipalpis.

Conhecido popularmente como mosquito-palha, ele é o transmissor da doença que afeta homens e animais e pode levar à morte nos dois casos.

O novo medicamento, em fase final de testes, incita a produção de anticorpos no cão, inibindo as etapas de desenvolvimento do inseto. Dessa forma, quando a fêmea picar o cão infectado em busca do seu sangue, ela não seria infectada e não poderia transmitir o protozoário causador da leishmaniose.

Vacina é considerada uma revolução

Segundo o veterinário do Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria de Saúde de Governador Valadares, José Batista Júnior, a vacina age diretamente sobre o mosquito e poderá ser aplicada em cães positivos e negativos.

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Veterinário José Batista

“Essas são boas notícias que vão colocar um fim à necessidade de sacrificar o cão contaminado, a não ser em casos de aliviar a dor do animal, uma decisão que caberá apenas ao dono. É uma revolução!”, destacou.

A vacina não torna o cachorro imune à leishmaniose visceral. Mas pretende impedir que o cão contaminado se mantenha como reservatório do protozoário causador da doença e impedir também a transmissão para outros cachorros e até mesmo para humanos.

Assim, o cão infectado poderia ser submetido a tratamento, o que hoje não é recomendado pelo Ministério da Saúde, e assim deixaria de ser considerado um risco à saúde pública.

Vacina aguarda parceria

Apesar do ineditismo da pesquisa e o seu significado para a saúde pública no Brasil e no mundo, a vacina não deverá ser disponibilizada para comercialização antes dos próximos 5 anos.

Segundo o Instituto de Ciências Biológicas da UFMG, que conduz os estudos em parceria com a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o corte no financiamento do governo para as pesquisas pode retardar a produção da vacina.

Por isso, a expectativa da entidade é conseguir parceria com alguma empresa interessada.

Milteforan é liberado

Mesmo sem saber quando poderão contar com a vacina desenvolvida pela UFMG, donos de cães ainda podem comemorar. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aprovou, no último dia 28 de agosto, a comercialização do Milteforan, droga que vai permitir o tratamento da doença.

O medicamento é um dos mais usados na Europa e está previsto para entrar no mercado brasileiro a partir de janeiro de 2017. O uso do Milteforan também vai evitar que inúmeros animais contaminados sejam sacrificados, a não ser em casos específicos.

“A medicação vai exigir cuidados permanentes com o cão e o preço é bem restritivo. Essa não é a solução, mas é melhor que o tratamento atual”, observa José Batista.

Proliferação: o grande desafio 

Atualmente a única vacina disponível no mercado contra leishmaniose é a Leish-Tec, também desenvolvida pela UFMG.

Apesar de não ser 100% eficiente, ela garante um nível muito grande de proteção aos animais. Uma vez recebido a dose da Leish-Tec, o cão tem 96% de chance de evitar a contaminação por picada do mosquito-palha.

Evitar a proliferação da doença é outro desafio. O mosquito se reproduz facilmente em amontoados de material orgânico, como entulhos, folhas, frutos, lixo e sem a cooperação da população fica difícil vencer o problema.

De acordo com o veterinário José Batista, para combater a doença com eficácia seria necessário o repasse, por parte dos governos estadual e federal, de recursos específicos para o programa da leishmaniose, além da conscientização da população, “que pode e deve fazer a sua parte, como por exemplo, manter o quintal limpo e livre de matéria orgânica”.

Saiba como se previnir

Leishmaniose – também conhecida como calazar, a contaminação em seres humanos e animais ocorre através da picada da fêmea do mosquito Lutzomyia longipalpis, mais conhecido como mosquito-palha ou birigui;

Sintomas no cão – lesões de pele, perda de peso, descamações, crescimento exagerado das unhas e dificuldade de locomoção. No estágio avançado, o mal atinge fígado, baço e rins, levando o animal ao óbito;

Prevenção da doença – Fazer a retirada de qualquer tipo de material orgânico como folhas, fezes de animais, entulhos e lixo, onde o mosquito possa se reproduzir. A borrifação química é fundamental em áreas endêmicas;

Proteção aos cães – Uso de repelentes, coleira própria contra a leishmaniose, vacina específica, higienização do animal e do ambiente;

Vacina – A vacina Leish-Tec, aliada a outros métodos preventivos, reduz a chance de contaminação do animal e enfraquece o protozoário em cães já contaminados, diminuindo a chance de transmissão;

Tratamento – Inclui sessões de quimioterapia, feita por meio de medicação venal aplicada através de soro, e medicação oral. Exige o comprometimento do proprietário em seguir as orientações veterinárias à risca, com realização de checape periódico e manutenção de alimentação específica com baixo teor de proteína.

Sobre Andréa Costa

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