sexta-feira , 22 setembro 2017

Égua que puxava carroça resiste a maltratos; audiência na Câmara discute amanhã situação de carroceiros e animais

A égua Vitória está sendo cuidada por veterinários do município

Uma égua abandonada à própria sorte foi resgatada por protetores de animais no bairro Santa Rita. Vitória foi encontrada assim, às margens da BR-259, no último dia 2: a pata traseira esquerda machucada devido a uma queda e um ferimento grave na cabeça provocado por uma machadada, segundo relataram moradores próximo ao local. Por causa disso, ela também está cega.

Esse é o retrato do destino cruel de muitos animais que puxam carroças pelas ruas de Governador Valadares.  Quando adoecem ou se machucam, como foi o caso de Vitória, que caiu em um mata-burro, a maioria dos donos não hesita em largá-los nos mais diversos lugares ou então tenta sacrificá-los de forma muiÉgua levou machadada após machucar a patatas vezes bruta, com pancadas na cabeça, que nem sempre levam à morte imediata.

Geralmente expostos a uma rotina de desgaste físico extremo, associada à falta de comida e água e alimentação inadequada, os maus-tratos aos animais de carga na cidade são resultados, principalmente, da falta de consciência dos carroceiros e da omissão do poder público, que não fiscaliza, não educa, não pune quem pratica abusos contra animais.

É o que observa a presidente da Associação de Proteção e Bem-Estar Animal de Governador Valadares (Aprobrem), Silvana Soares. “O município não oferece nenhuma fiscalização, nem com relação à identificação do dono do animal, nem quanto ao tráfego de carroceiros. Os cavalos são soltos em qualquer lugar, em avenidas no centro da cidade, em praças nos bairros, correndo o risco de se machucarem e também de provocarem acidentes graves e fatais, como já aconteceu. Além disso, é comum vermos menores de idade e até crianças conduzindo carroças, o que não deveria ser permitido”, ressaltou.

Carroças e carroceiros

Foram o vereador Alessandro Ferraz (PHS), conhecido como Alê, e a protetora de animais Mariana Flausina, que conseguiram que o município removesse a égua Vitória para a Semov II, no bairro Santos Dumont, onde ela está sendo cuidada pelo veterinário Gilmar Neves (de forma voluntária).

Esse caso motivou o vereador a levar a discussão para a Câmara Municipal, onde será realizada uma audiência pública nesta sexta-feira, 31, a partir das 15 horas, para discutir a situação das carroças e carroceiros.

Apesar de a lei 6.618/2015 já atribuir ao município a responsabilidade pela remoção e tratamento de animais nessa situação, a presidente da Aprobem alega que é difícil fazer com que ela seja cumprida.

“Conseguimos apresentar essa proposta em 2014 e aprová-la em 2015. Na lei também consta a obrigatoriedade de identificar o carroceiro, a carroça e o animal, esse último através de microchip ou tatuagem, mas ainda não houve nenhum movimento nesse sentido”, disse Silvana.

Além da Aprobem e outras entidades de proteção aos animais em Valadares, Alessandro Ferraz conta com o apoio do Ministério Público para propor a extinção do uso de animais nos transportes, substituindo-os por veículos de tração, como já ocorre em várias regiões do país.

Segundo ele, a audiência também vai buscar alternativas para que os carroceiros sejam inseridos em outras atividades, sem que haja prejuízo para a categoria. Para subsidiar os trabalhos, o vereador pediu informações à prefeitura sobre o número de carroceiros e de animais cadastrados no município.

Animais são vistos soltos em qualquer lugar da cidade:

 

Cavalo pasta dentro de canal do córrego

Cavalos soltos em rodovias

 

 

 

 

 

 

Animais em praças são comuns em Valadares

Fiscalização não impede animais soltos na cidade

 

 

 

 

 

Microchip pode ser aliado

A lei 6.618/2015 também trata da identificação dos animais de carga através de microchip ou tatuagem. O mais viável, segundo a presidente da Aprobem, Silvana Soares, seria o implante de microchip, que possibilita obter informações precisas como, por exemplo, a localização do animal e o nome do proprietário.

Do tamanho de um grão de arroz, ele contém um número de identificação que é exclusivo para cada animal no mundo, evitando qualquer falha de reconhecimento, e veio para substituir tipos tradicionais de identificação, como a marca a fogo e a tatuagem.

A implantação é fácil e rápida e o chip de rastreamento é colocado no animal na região do pescoço com a ajuda de uma injeção. O procedimento exige um leitor de chip e, claro, os microchips.

“Nosso desejo é o de acabar com as carroças na cidade. Mas é uma discussão que envolve muita coisa, a atividade é uma forma de geração de renda para algumas pessoas e não podemos ignorar o lado social e humano. Queremos então que a situação seja revista para que o animal doente ou machucado não seja simplesmente abandonado para morrer ou jogado em qualquer lugar. O poder público tem que fazer sua parte de conscientizar, organizar, fiscalizar e mesmo punir os responsáveis”, defendeu.

   Microchip ajuda a identificar o animal e o responsável por ele

 

Égua Vitória recebe apoio de veterinário voluntário e está se recuperando:

 

Veterinário cuida da pata

Evolução do ferimento na pata

Vitória ainda está em recuperação

Vitória resistiu a machadada e ferimento na pata

 

Sobre Andréa Costa

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