terça-feira , 12 dezembro 2017

Falta de cemitério: o que fazer na hora do adeus ao seu animal de estimação?

Falta de cemitério para animais traz desconforto para o dono

A pedagoga Marly de Lourdes Fonseca ainda guarda com carinho as gravatinhas e brinquedos do Kiko, um poodle caramelo que durante 10 anos foi muito mais que seu fiel amigo. Ele foi parte da sua família.

Kiko morreu há cerca de 5 anos e até hoje sua inteligência e carinho são lembrados pela pedagoga. Ela só não sabe onde o seu cão foi sepultado, já que o petshop onde ele recebia os cuidados providenciou todo o processo do sepultamento, feito em lugar ignorado.

O drama da pedagoga também é vivido por milhares de pessoas em Governador Valadares, que gostariam de sepultar de forma respeitosa seus animais de estimação, que ao longo dos anos passaram a fazer parte da família.

 

Município não tem local apropriado para enterrar animais

Essa é uma realidade ainda distante, pois a cidade de aproximadamente 300 mil habitantes não possui cemitério e muito menos um crematório para animais, a exemplo dos grandes centros, como São Paulo e Belo Horizonte, ou de cidades do interior, como Betim e Uberlândia.

Devido à ausência de cemitério ou crematório próprio para animais, algumas clínicas veterinárias acabam indicando ou até mesmo realizando um serviço que não é regulamentado no município, ou seja, é ilegal.

Os animais são enterrados em cemitérios clandestinos. Um desses locais, segundo informações, está localizado em um bairro nobre da cidade, a Ilha dos Araújos, onde os animais são sepultados às margens do rio Doce.

Curiosamente, é nesse mesmo bairro que também estão localizados a Companhia de Polícia Militar de Meio Ambiente e a Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram/Leste Mineiro.

cemitério de animais faz falta em Valadares

 

Amor que não se explica: pets acabam se tornando parte da família

E é justamente isso que preocupa a pedagoga, que há três anos ganhou de presente dos filhos a cadelinha Mel, uma yorkshire terrier, de pelos pretos e dourados que se tornou a xodó da casa. “Os animais de estimação se tornam parte da família, é um amor inexplicável que a gente recebe e transmite a eles. E quando morrem, resta a incerteza de onde foram sepultados”.

Ela acredita que Valadares já comporta investimentos como a instalação de um crematório ou cemitério para animais de estimação e ressalta que isso daria mais tranquilidade para os donos desses animais.

“Eu não sei em que condições o Kiko foi sepultado. Ele foi meu amigo, companheiro fiel e só me trouxe alegria durante 10 anos. E quando a Mel morrer, corro o risco de viver o mesmo drama, sem saber onde e como ela será enterrada”, lamentou.

 

Descaso com animais mortos favorece a clandestinidade

Quem também enfrenta essa realidade é a advogada Aurora Pena. Assumidamente apaixonada por animais, ela já possuiu as mais diversas raças de cães e gatos em sua casa, além de cavalos e aves, em seu sítio. A advogada também reclama de a cidade ainda não possuir um crematório ou cemitério para animais, o que, segundo ela, favorece o surgimento de cemitérios clandestinos.

Aurora e seu cãoEntre os seus tantos animais, Aurora lembra a situação que viveu com sua cadela Yagui, da raça Collie, que foi acometida por um câncer. Ela conta que um veterinário sugeriu o sacrifício da cadela e afirma que pagou “caro” pelo sepultamento da Yagui. No entanto, não ficou sabendo nenhum detalhe sobre o local onde o animal foi enterrado.

 

Município não tem projeto para cemitério ou crematório de animais

Na prefeitura de Governador Valadares não existe nenhum projeto voltado para a criação de cemitério ou crematório público para animais. A secretaria de Comunicação disse que desconhece a existência de cemitérios clandestinos na cidade e os mesmos, caso existam, devem ser denunciados e os responsáveis punidos, de acordo com as leis ambientais e da área de saúde.

Cemitérios ou crematórios para animais devem atender aos mesmos critérios que são utilizados na implantação de cemitérios para humanos e informações e orientações sobre esse procedimento devem ser obtidos na prefeitura.

 

Como os animais de estimação são enterrados em Valadares:

Animais de porte maior, como cavalos e bois, são recolhidos pelo Semov e enterrados no aterro municipal. Já com relação aos animais de estimação, o município não oferece nenhum tipo de apoio.

Na falta de locais apropriados, restam apenas alternativas incorretas e ilegais para enterrar os animais em Valadares: em sítios ou chácaras; em terrenos baldios localizados em área urbana ou rural; descartar o corpo nas margens de rodovias, ferrovias, córregos e até no rio Doce.

E é aí que mora o perigo, já que os animais em decomposição contaminam o ambiente onde foram deixados e, consequentemente, podem contaminar também o solo, o lençol freático e transmitir doenças que causam risco para a saúde pública. Até quando?

E você, o que acha de enterrar o seu animalzinho em um local apropriado?

 

Sobre Andréa Costa

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